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"As grandes descobertas de ouro e diamante do século XVIII foram as
mais importantes ocorridas no Novo Mundo colonial. De 1700 a 1800, 1 milhão
de quilos de ouro foram oficialmente registrados e talvez outro milhão
tenha escapado ao fisco real.
O impacto dessa fartura sobre a colônia foi imenso. A população
e os recursos locais fluíram para as áreas auríferas, que
se situavam em pleno sertão, ao longo da fronteira da Mata Atlântica.
Em 1690 o território que já havia sido cruzado diversas vezes
por caçadores que voltavam com turmalinas que achavam ser esmeraldas, os
paulistas descobriram depósitos de ouro. Em poucos anos diversos riachos
muitos ricos foram encontrados e em 1713 todos os principais achados já
estavam produzindo. Estavam localizados em um arco ao longo da Serra do Espinhaço,
desde a atual cidade de Belo Horizonte até São João Del Rei.
O ouro era encontrado em sopés
de montanhas, em certos tipos de argila a um ou dois metros de profundidade
e em formações rochosas friáveis. Os escravos misturavam
a massa que se acumulava em uma vala no fundo e a massa lamacenta era carregada
manualmente para ser bateada em outro riacho desviado. Podiam retirar de 50 a
100 mil cestos de terras para obter um único cesto de ouro.
O efeito deste tipo de mineração foi o
de substituir a Mata Atlântica por charnecas esburacadas.
"Por todos os lados, tínhamos sob os olhos os vestígios aflitivos
das lavagens, vastas extensões de terra revolvidas montes de cascalhos"
relatava o botânico francês Auguste de Saint- Hilaire quando atravessou
a estrada ao Norte de Ouro Preto, na segunda década do século XIX.
Alguns anos depois, outro botânico vislumbrava
um panorama similar ao longo da estrada de São João Del Rei até
o campo de Santa Rita, uma distância de cerca de 15 Km: "uma região
escalvada e deserta, cujo terreno está todo minado pelas escavações
em busca do Ouro".
O desnudamento das encostas provocou erosão de
camadas de terra, gerando gigantescos sulcos chamados Voçorocas, assoreamento
de leitos de riachos e enchentes que ainda ocorrem na região mas que agora
são tão generalizados e antigos que parecem caracterísitcas
naturais da paisagem.
Dessa forma, o volume de Ouro dos minérios,
em geral, era de 21 a 22 quilates, mas os minérios de qualidade inferior
eram amalgamados com mercúrio. Esta fonte de poluição não
tem sido investigada por historiadores ou cientistas. As quantidades de mercúrio
que podem Ter sido extraídas ou importadas e a quantidade que pode ter
sido empregada e espalhada por solos dessa região da Mata Atlântica
no curso de um século são, por isso, hipotéticas mas, a julgar
pelas práticas correntes e ainda muito primitivas na Amazônia, pode
ter chegado a cem toneladas, supondo-se que não mais de 10% do minério
extraído fosse beneficiado desta maneira- com que efeito sobre a biota?"
Fonte: DEAN, Warren A
Ferro e Fogo: A história e a devastação da Mata Atlântica
brasileira São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
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